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Minimercado: o que podemos aprender com esse modelo de negócio?

Minimercado: o que podemos aprender com esse modelo de negócio?

Há muito eu sou fã dos pequenos negócios (minimercado). Meu pai teve um bazar de aviamentos por mais de 60 anos e passei boa parte da minha adolescência atrás de um balcão. Foi lá que aprendi a atender, negociar, comprar e vender. Outra técnica foi a de fazer pacotes de presentes – meu lado de Designer estava sendo aflorado!

 

E nesta pandemia eu redescobri o mercadinho do bairro, com mix bom de produtos necessários para uma compra rápida, me atendendo na medida do meu tempo. Essas lojas de bairro, por serem pequenas, tem mais facilidade para adaptação e oferecem soluções customizadas aos clientes, a fim de sobreviver ao lado de grandes redes.

O minimercado tem mais agilidade e capacidade de adaptação que as grandes redes, pois seu poder de decisão sobre seus rumos e atrativos é maior. Além disso, ao estar mais próximo do cliente, tem mais facilidade para entender a real necessidade do público. Os grandes supermercados ou hipermercados – em declínio há anos pela falta de proximidade – não conseguem oferecer soluções mais customizadas. Um ponto que não podemos esquecer é o atendimento, que deve ser empático e atento. Quem se lembra da atendente que passou a sua compra em um hipermercado? Mas garanto que a senhora ou o atendente da loja do bairro você se lembra e pode até saber o nome, certo?!

 

Minimercado e a nova economia

Nesta nova economia que estamos adentrando, buscar parcerias locais é outra ferramenta importante no aumento da competitividade. Comprar alguns itens coletivamente aumenta o poder de barganha e permite oferecer preços melhores aos seus clientes, inclusive aumentando sua margem.

É fato que competir em preço com as grandes redes é muito difícil e chega a ser desleal o poder de compra com relação aos pequenos comerciantes. Portanto, os minimercados devem apostar num “mix”de produtos enxuto e customizado, pensando em quem são seus compradores e suas necessidades. Vale sempre observar as cestas dos clientes e entender os produtos e quantidade.

Vá em busca de quem produz pães e bolos artesanais! Se o seu forte não é panificação, da mesma forma que o açougue e/ou peixaria, procure expor tais produtos embalados a vácuo, na quantidade desejada pelo público. Convide um amigo ou o melhor açougue da cidade para ser seu parceiro. Ofereça um local privilegiado no layout funcional do minimercado.

 

A comunicação visual das grandes redes é padronizada, muitas vezes sem identidade alguma com o local onde se encontra; sendo assim, o minimercado pode se permitir inovar. Crie algo que conte a história do bairro, com detalhes da arquitetura local, isso criará personalidade e atratividade, é lúdico!

A seção destinada à quitanda precisa de atenção especial, pois recebe fluxo diário e fomenta o consumo dos demais produtos. Portanto, crie um espaço com cara de pomar, que tal uma área refrigerada onde os clientes se sintam no campo? Cada visita que o cliente faz à sua loja é uma experiência de consumo e quanto mais tempo permanecer, maior será o ticket médio.

A iluminação e o piso são dois itens cruciais para valorizar produtos. O piso claro rebate luz nas prateleiras e a iluminação instalada em média a 2.50m de altura criará uma atmosfera mais amigável com a combinação de luz branca e amarela.

 

Tecnologia x Pessoas

Para os minimercados interessados em se modernizar para enfrentar a concorrência, primeiramente é preciso saber diferenciar a modernização de tecnologia.

Tecnologia sem evolução de comportamento pouco acrescenta. Um pequeno varejo moderno consegue satisfazer seus clientes nas necessidades básicas de consumo e ainda surpreendê-lo ao oferecer algo a mais. Pequenas lembranças são capazes de conquistar clientes, por exemplo: vasinhos com temperos têm custo irrisório e pode criar uma surpresa cada vez que o cliente fizer uma compra, sem contar a presença de um pé de hortelã ou manjericão na casa da pessoa trará sempre a lembrança de que quem entregou foi o seu minimercado.

 

Crie canais de compras on-line e também presencial. Uma panfletagem no seu bairro com a lista de compra com opção de retirada da lista ou entrega na casa da pessoa pode facilitar a vida de um idoso. Pense que sua clientela mais idosa, quer carinho. Por isso é fundamental planejar uma entrega no bairro sem custos, uma das alternativas para oferecer isso é contratar ciclistas que podem atender de forma simpática e cordial.

Fique atento às novas tecnologias que visam dar agilidade e segurança ao processo de finalização da compra, pois a última impressão é tão importante quanto a primeira.

 

Atendimento

Nos meus vários anos de balconista de bazar, entendi o varejo como algo a mais que apenas a atividade comercial propriamente dita. É uma prestação de serviços personalizada. Vendi para senhorinhas que queriam só um elástico e outras colchetes. Atender pessoas é uma arte, e isso pode ser aprendido e aperfeiçoado.

Pesquisas recentes apontam o atendimento diferenciado como o principal fator de fidelização. Logo, conhecer as preferências de consumo e mostrar ao cliente que ele é importante para você e para o seu negócio – isso se chama relacionamento de marca.

Simpatia, profissionalismo, eficiência, agilidade, atenção e empatia são indispensáveis, além de se tornarem um enorme diferencial competitivo.

Aprendi isso na série Mr. Selfridge, de produção  britânica que narra a vida do empresário Harry Gordon Selfridge – interpretado por Jeremy Piven – onde mostra a criação e evolução das lojas que levam seu sobrenome no início do século XX – dos grandes armazéns para as centenárias lojas Selfridges em Londres.

 

Uma outra referência mundial do atendimento diferenciado, é a americana Stew Leonard’s – uma cadeia de sete supermercados em Connecticut – Nova York e Nova Jersey. Leva tão a sério a qualidade do atendimento que utiliza como ícone, na entrada de suas lojas, a “Pedra do Compromisso”, que contém apenas duas regras:

Regra 1: “O cliente tem sempre razão”

Regra 2: “Se o cliente estiver errado, releia a regra um”

 

Não esqueça que é essencial valorizar sua equipe, pois quando você coloca seus funcionários em primeiro lugar, eles colocam os clientes em primeiro lugar. É fundamental que o cliente saia da loja com a sensação de que a visita foi agradável e sinta prazer e vontade em voltar. Capacitar a equipe é investimento, não gasto.

 

Outra coisa que aprendi na Casa Ideal – o bazar do meu pai – é que se o papo está bom, a gente deve continuar. Portanto, no próximo artigo, trarei 10 dicas para você montar um Minimercado. Nos acompanhe em nossas redes sociais!

 

Marcelo Silvani

Quando escolhi o Design como profissão adentrei ao mundo da reengenharia, fenômeno de gestão dos anos 90. Em 2000 foi o início do Design de Serviços, fato este que os profissionais do Design vivem em plenitude. Reengenharia nas empresas poderia ser usada em três situações: - a primeira é quando a empresa está passando por graves problemas, e não tem outra alternativa se não começar de novo; - a segunda é quando a empresa ainda não se encontra em dificuldades, mas é possível prever futuros problemas e evitar passar por obstáculos; - e a terceira situação é quando a empresa tem um ótimo desempenho, e mesmo sem previsões de problemas futuros, opta por passar pelo processo de Design Estratégico para ganhar mais vantagem competitiva em relação aos concorrentes, e aumentar ainda mais seu desempenho, com a ideia de que ao refazer algo que já é bom, é possível alcançar algo ainda melhor! E é neste sentido que acredito: antever o futuro é hoje a condição de sobrevivência no mundo empresarial competitivo. Pensar em estratégia é pensar o futuro!

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