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Criatividade: como aflorar dentro de nós?

Há mais de 20 anos na Universidade, ministro componentes ligados à percepção e a criatividade. Frequentemente me perguntam se as pessoas nascem criativas, e eu questiono argumentando que a criatividade aflora conforme vivenciamos e acumulamos experiências. O meio em que vivemos nos torna ou não criativos. Então como aflorar a criatividade dentro de nós?

 

Defino criatividade como a capacidade de ver a intersecção de tópicos não relacionados e combiná-los em alguma coisa nova. Criar nova atividade ao que já existe.”

 

Se a criatividade é ativada na primeira infância, concordo com o educador italiano Lores Malaguzzi que fundamenta a teoria Reggio Emília: a criatividade é uma qualidade instigada e iniciada na infância que busca em ideias a fonte para criar novas coisas. É nessa fase que o potencial criativo é ou não ativado. A criatividade é a capacidade de transformar o ambiente segundo as necessidades, ela desenvolve graças aos estímulos recebidos pela criança. É aí que a escola e pais têm o fator decisivo para tornar crianças potencialmente mais criativas. Ou então aniquilar com seu processo de fazer conexões e torná-las ativas para percepção e criatividade.

 

Na escola aprendemos fórmulas de química, multiplicação na aritmética, a função da crase, os métodos que levaram o homem à lua, entre outros conhecimentos que nos introduzem no mundo. Não precisamos voltar à escola para reaprender a multiplicar. Basta um único professor para nos ensinar que a aritmética nunca muda, enquanto ideias mudam constantemente. O que a escola muitas vezes se esquece, é de construir conexões entre a matemática e a música, por exemplo.

 

A criatividade como qualidade

Criatividade é uma qualidade adquirida por pessoas curiosas que buscam inspiração em informações, com sensibilidade de percebê-las de forma diferente. Pessoas criativas possuem comportamentos diferentes: são curiosas ao extremo, persistentes, bem-humoradas, são independentes em seus atos e responsáveis por tais. Fazem conexões entre sons e imagens, possuem rápida desenvoltura em atividades, fácil percepção, habilidade no aprendizado e são grandes visionárias. Ou seja, enxergam o novo, já que conseguem prever as possíveis consequências de ocorrer em criações por erros ou imprevistos.

 

A criatividade é uma qualidade que também pode se desenvolver após a infância. Por isso, a importância de manter vivo nas crianças algumas de suas vocações, por exemplo: se dançam na infância, continuem. Se desenham, continuem trabalhando os traços. Portanto, deve-se adquirir alguns hábitos como dormir no mínimo oito horas por noite ou caminhar ao ar livre. Anotar ideias que surgem no decorrer do dia para executá-las e evitar locais com barulhos evitam o enfraquecimento do cérebro. Além disso, paute objetivos, utilize o tempo ocioso a favor da criatividade e seja curioso em todos os aspectos.

 

Novas abordagens alimentam e são alimentadas por novas ideias, as quais requerem novas técnicas que sustentem o progresso criativo, mantendo o processo em movimento. Assim, precisamos nos atualizar no estado da arte da criatividade. E aqui lembro que os educadores são os primeiros arquitetos do processo perceptivo e devem ser instigadores em suas aulas. É o “aprender a aprender e a criar”. Além da atualização profissional, educar a mente criativamente tanto quanto exercitar o corpo fisicamente, adiciona saúde a ambos e nos torna mais aptos a viver neste mundo, cuja exigência de produção de ideias tende a aumentar exponencialmente no mundo dos negócios.

 

Cada dia mais, é exigido a capacidade de conectar o que é aparentemente desconexo e fundir o conhecimento existente em uma nova visão sobre algum elemento de como o mundo funciona. Viveremos a criatividade na prática em tudo!

 

Aí vai um conselho: antes da criatividade vem a imaginação, então nada de fobia em pensar “eu não sou criativo”. Imagine e mentalize um futuro desejável, para então tangibilizar para as pessoas aquilo que você imaginou. Criatividade é isso: dar uma nova atividade para aquilo que você conhece e quer ver de outra maneira.

Quando você pensa em negócios logo supõe ou imagina o que o mercado necessita, pensa claramente na solução de um problema.

 

Como essa solução pode virar negócio e dinheiro?

Seja embebido em uma causa, tenha claro o que você deseja transformar para a criatividade acontecer! As ideias não surgem num surto, amadurecem a partir da percepção e do olhar mais aprofundado, elas precisam de um tempo para a incubação, ficam um bom período como “palpite parcial”, daí o interesse em colidir com outros palpites para tomar forma. Precisamos criar sistemas para unir essas sugestões em algo maior, ou seja, transformar um palpite em algo inovador.

 

Os cafés no iluminismo e os salões parisienses eram motores de criatividade, as ideias eram ventiladas e se misturavam, eram conectadas e religadas em conversas aleatórias. Não precisa massacrar a mente para sair a boa ideia, estamos ficando desgastados com essa conexão 24 horas por dia. Então é preciso se desprender para fazer conexões mentais. O grande propulsor da criatividade é a capacidade de trocar ideias e captar nos palpites alheios, informações valiosas, esse sim é o motor primordial para a inovação há séculos.

 

Lembre-se: “O acaso favorece a mente atenta!”

Por isso, há vários anos afirmo: criatividade não é dom divino, ela está em você, basta ativá-la para converter algo ordinário em extraordinário!

 

Marcelo Silvani

Quando escolhi o Design como profissão adentrei ao mundo da reengenharia, fenômeno de gestão dos anos 90. Em 2000 foi o início do Design de Serviços, fato este que os profissionais do Design vivem em plenitude. Reengenharia nas empresas poderia ser usada em três situações: - a primeira é quando a empresa está passando por graves problemas, e não tem outra alternativa se não começar de novo; - a segunda é quando a empresa ainda não se encontra em dificuldades, mas é possível prever futuros problemas e evitar passar por obstáculos; - e a terceira situação é quando a empresa tem um ótimo desempenho, e mesmo sem previsões de problemas futuros, opta por passar pelo processo de reengenharia para ganhar mais vantagem competitiva em relação aos concorrentes, e aumentar ainda mais seu desempenho, com a ideia de que ao refazer algo que já é bom, é possível alcançar algo ainda melhor! E é neste sentido que acredito: antever o futuro é hoje a condição de sobrevivência no mundo empresarial competitivo. Pensar em estratégia é pensar o futuro!